A baixa qualidade do leite produzido em muitas propriedades no Brasil provém, na maioria das vezes, de rebanhos com vacas com representativo índice de mastite
Publicado em: 30/03/2011
A mastite ocorre quando fatores de manejo e de ambiente atuam em conjunto e permitem maior exposição da abertura do orifício da teta aos microrganismos.
O leite e os produtos lácteos são considerados pelos consumidores como naturais e de alta qualidade. Para que essa imagem seja mantida e para que o leite possa competir com sucesso frente a outros produtos alimentícios, é necessário manter o alto nível de qualidade, tanto da sua composição como da higiene. Um fator limitante a isso é a ocorrência de mastite nas vacas leiteiras.
A mastite é definida como uma inflamação da glândula mamária. Na maioria dos casos, essa é resultado de infecção microbiana, isto é, da penetração e da multiplicação de microrganismos nos quartos mamários. Ocorre quando fatores de manejo e de ambiente atuam em conjunto e permitem maior exposição da abertura do orifício da teta aos microrganismos que causam a doença. Quando a doença se instala, ocorrem alterações na glândula, que são o resultado dessa inflamação.
Processo inflamatório
A reação inflamatória que ocorre na glândula, em decorrência da mastite, leva a um processo de atrofia dos quartos infectados.
A reação inflamatória que ocorre na glândula, em decorrência da mastite, causa alterações na composição do leite, tanto em termos de qualidade, como de quantidade dos componentes. Alguns fenômenos relacionados com a inflamação participam diretamente desse processo. Os principais são:
1 – Aumento da passagem de substâncias do sangue para o leite: ocorre porque, durante o processo inflamatório, as paredes dos vasos sanguíneos ficam mais permeáveis, permitindo que diversas substâncias, como íons de sódio e cloro, e proteínas, passem para o leite.
2 – Passagem de células de defesa do sangue para o leite: ocorre como consequência do processo inflamatório. Essas células de defesa, no caso da mastite, são principalmente os neutrófilos, os quais, quando presentes na bebida, são chamados de células somáticas. Uma glândula normal pode apresentar até 50 mil ou 100 mil células somáticas por ml de leite. Quando há mastite, esse número pode chegar a um milhão ou mais.
3 – Lesões nas células produtoras de leite da glândula mamária: tornam essas células menos eficientes, isto é, com menor capacidade de produzir e secretar leite. Isso resulta na diminuição da quantidade de leite produzido. Ocorre também a morte das células e a liberação de enzimas que contribuem para agravar o processo inflamatório.
Perdas
O efeito da inflamação na redução da produção de leite já é bem conhecido e é consequência das lesões que ocorrem nas células que produzem e secretam o leite. O nível dessa redução depende do grau da inflamação. Estudos realizados no Brasil mostraram que quartos mamários com mastite subclínica produziram, em média, 25 a 42% menos leite que quartos mamários normais.
Estudos feitos fora do Brasil mostraram que as perdas decorrentes da mastite estão entre 25 a 35% por dia e de 10 a 15%, considerando-se toda a lactação. Quando se considera todo o rebanho, durante a lactação, as perdas são de 5 a 10%.
Em consequência da inflamação dos tecidos do úbere, a produção dos principais elementos do leite diminui. Há uma redução de 5 a 15% na matéria seca total do leite. Além do aumento da contagem de celulas somáticas CCS, a mastite provoca alterações nos três principais componentes do leite: gordura, proteína e lactose. Enzimas e minerais também são afetados.
Gordura
Nas infecções intramamárias, a concentração total da gordura do leite diminui em aproximadamente 10%. Maiores alterações são observadas na composição e nas propriedades físicas dos componentes da gordura. Essas causam diminuição da qualidade dos produtos derivados do leite.
Proteínas
A principal proteína do leite é a caseína, que apresenta alta qualidade nutricional e é muito importante na fabricação dos queijos.
O conteúdo de caseína diminui e aumenta a concentração das proteínas originárias do sangue. Além disso, ocorre degradação da mesma por enzimas que desdobram proteínas (enzimas proteolíticas). Essa atividade está aumentada nos leites de vacas com mastite e tem sido um problema para os produtos baseados na caseína.
Lactose
A lactose é o principal açúcar do leite e, no seu processamento, é a base para obtenção de produtos fermentados, como, por exemplo, o iogurte. A mastite diminui a quantidade de lactose em, aproximadamente, 10%, afetando assim a produção de seus subprodutos.
Por: Patrícia Tristão
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