O ponto-chave a considerar é se a vaca tem, à sua disposição, pasto em quantidade suficiente para ingerir o máximo de forragem
Publicado em: 06/06/2011
A dieta dos bovino leiteiros deve ser composta em sua maioria por forragens e complementada por concentrados.
Atualmente, o setor leiteiro exige dos produtores nacionais produção de leite em maior volume, com maior regularidade e melhor qualidade. E, para isso, um dos parâmetros a serem avaliados é a alimentação. Essa pode representar cerca de 60% dos custos, e é a partir dela que se avalia a eficiência produtiva.
Segundo o Dr. Firmino Deresz, pesquisador da Embrapa Gado de Leite e professor do curso “Produção de Leite a Pasto”, hoje não há mais dúvidas de que o pasto seja o sistema mais barato de se produzir leite, não existe nenhum alimento disponível no mercado com o custo tão baixo. O ponto-chave a considerar é se a vaca tem, à sua disposição, pasto em quantidade suficiente para ingerir o máximo de forragem.
Nutrição dos ruminantes
Os ruminantes possuem um sistema digestivo bastante peculiar, com características próprias bem definidas, o que lhes permite aproveitar os nutrientes contidos em alimentos fibrosos e grosseiros. Isso ocorre graças à ação de microrganismos que habitam o trato digestivo, além da ação mecânica executada através processo de ruminação.
A dieta dos bovinos leiteiros deve, obrigatoriamente, conter alimentos fibrosos compondo pelo menos 30% da matéria seca total oferecida, sendo composta em sua maioria por forragens e complementada por concentrados. Em conjunto, esses alimentos fornecem energia, proteínas, minerais e vitaminas essenciais às funções produtivas.
Forrageiras
No fornecimento de alimentos volumosos, deve-se ater a qualidade das forrageiras. Quanto melhor for, mais leite o produtor vai conseguir produzir. Sua avaliação é feita a partir da composição química, sendo muito importante as frações matéria seca, proteína bruta, fibra em detergente neutro e matéria mineral. O conceito de qualidade engloba também o consumo da forragem, e para que esse seja elevado, além de boa composição, é preciso haver boa oferta.
O teor de matéria seca é importante, pois, quando ele é baixo, pode limitar o consumo de alimento. O professor Dr. Fermino Deresz afirma que o teor de proteína bruta diminui com o aumento da idade da planta. Forrageiras tropicais com menos de 12% de proteína bruta na base da matéria seca, em condições de pastejo, limitam a produção de leite. Isso porque não se recomenda para as vacas em lactação menos de 12% de proteína bruta na dieta. A alimentação pode ser apenas pasto, ou pasto mais concentrado, ou, ainda, pasto mais volumoso (silagens, feno) e mais concentrado.
Alimentos concentrados
Os concentrados são compostos com alto teor de energia, mais de 60% de nutrientes digestíveis totais (NDT) e menos de 18% de fibra bruta (FB), sendo divididos em energéticos e proteicos. Os energéticos são aqueles com menos de 20% de proteína bruta (PB), como milho, sorgo, sebos e gordura animal. Já os proteicos são os que possuem mais de 20% dessa mesma proteína, sendo, assim, o farelo de soja, de girassol, de amendoim, a farinha de peixes e carne.
É com base no teor de proteína bruta do volumoso que se formula o concentrado, que será balanceado em PB para fornecer a cada quilo de ração consumida proteína para 2 ou 2,5 Kg de leite produzidos. Em geral, são necessários 85g. de PB para cada quilo de leite. O limite máximo de concentrado na dieta na base da matéria seca é de 60%. Quanto pior o volumoso, mais aumenta a participação do concentrado; por isso, silagens e forrageiras de baixa qualidade não resolvem os problemas de eficiência produtiva da criação.
Cana-de-açúcar
A cana tem se mostrado como uma ótima opção de suplementação por ser de boa composição e baixo custo.
A cana tem se mostrado como uma ótima opção de suplementação por ser de boa composição e baixo custo. Quando picada e corrigida com ureia tem digestibilidade em torno de 60% e teor de proteína bruta na base da matéria seca em torno de 10%, e ainda 50% de açúcares e 50% de fibra (FDN), sendo o teor de açúcares todo aproveitado pelos microrganismos do rúmen.
Planejamento da produção
A importância das instalações dentro de um processo de produção está na facilidade e redução da mão-de-obra nas tarefas diárias, facilidade de manejo do rebanho, controle de doenças, proteção e segurança aos animais. Além disso, também contribui para a divisão de pastagens e armazenamento de alimentos, o que favorece a eficiência produtiva.
As instalações são projetadas em acordo com o sistema de exploração a ser adotado. O manejo em pasto requer estruturas mais simples e são, em geral, mais baratas do que as utilizadas em confinamento. Neste caso, além das pastagens, são necessárias algumas estruturas como área para cultivo agrícola, currais para manejo dos animais, sala de ordenha, sala de leite, escritório, área de criação de bezerros, depósito para alimentos e preparo de rações, reservatório de água, bebedouros, galpão para abrigo de máquinas e equipamentos, e cochos cobertos construídos no pasto.
Por: Patricia Tristão.
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Estou precisando de ajuda para melhorar a produção de leite e me adequar nas normas de qualidade da produção leiteira. Fico grato se puderem me auxiliar.
Olá, Nelcy!
Nossas consultoras entrarão em contato em breve.
Atenciosamente,
Ana Carolina dos Santos