Com a inseminação, o pecuarista poderá ter acesso à genética de reprodutores de alto padrão, a baixo custo
Publicado em: 16/06/2011No manejo reprodutivo, um dos aspectos fundamentais para tornar a pecuária de corte mais rentável é a adoção da estação de monta.
O avanço da inseminação artificial na pecuária brasileira tem sido intenso, o que demonstra que as vantagens oferecidas pela técnica são muitas. Entretanto, para que sua adoção seja um sucesso, é fundamental um bom treinamento para os responsáveis por sua aplicação na propriedade, quer sejam técnicos ou vaqueiros.
Com a inseminação, o pecuarista poderá ter acesso à genética de reprodutores de alto padrão, a baixo custo. Por outro lado, para que seja mais eficiente, pode-se utilizar a estação de monta e a tecnologia de Inseminação Artificial por Tempo Fixo - IATF, facilitando o manejo do sistema de cria e melhorando o desempenho reprodutivo do rebanho.
Estação de monta
No manejo reprodutivo, um dos aspectos fundamentais para tornar a pecuária de corte mais rentável é a adoção da estação de monta. Nessa estratégia de manejo, o pecuarista promove a concentração da atividade reprodutiva na sua propriedade durante o período do ano com mais disponibilidade de alimento, que resulta em melhores índices de cio e gestação.
A estação de monta, portanto, tem aspectos positivos em muitos fatores importantes da bovinocultura, como o aumento do desempenho reprodutivo dos machos e fêmeas, a influência positiva no desenvolvimento dos bezerros e a facilidade do gerenciamento do rebanho. Em matéria de manejo reprodutivo, pode ser ainda mais positiva se for adotada a inseminação artificial.
Para eficiência da estação de monta e realização da inseminação, a dectecção correta do cio é imprescindível.
Detecção de cio
Depois que se adota a inseminação, o rebanho não terá mais o touro, a não ser em caso de opção por repasse. A detecção do cio, então, terá de ser feita de uma forma alternativa, surgindo a necessidade de técnicas para reconhecimento desse entre as vacas.
Um recurso utilizado, principalmente em grandes rebanhos, é o rufião. Outra possibilidade é a utilização de fêmeas que repetem cio, ou mesmo androgenizadas. Elas são atraídas e fazem a monta em fêmeas no cio. Mas, a forma menos dispendiosa e mais simples de se detectar o cio é a observação de monta entre fêmeas. Quando entram em cio, elas ficam agitadas e nervosas, geralmente tentam montar umas nas outras, e as que estão em cio ficam paradas, deixando-se montar.
A observação deve ser feita pelo campeiro, duas vezes ao dia, de forma a se alcançar um alto índice de detecção de cio, o que, por sua vez, vai garantir maiores níveis de eficiência da inseminação artificial. A maior dificuldade que se encontra na prática da inseminação artificial é a detecção de cios. Erros levam a uma queda significativa dos resultados obtidos, causando baixos índices de animais inseminados e baixa taxa de gestação do rebanho.
Inseminação artificial em tempo fixo – IATF
A IATF é a inseminação de um ou mais animais, em tempo predeterminando, sem observação de cio, após um tratamento hormonal, visando a sincronização do horário de ovulação para a obtenção de alta taxa de concepção. Assim, melhorar a eficiência da inseminação artificial, com relação à detecção correta dos cios e uma maior praticidade no manejo para a reprodução, é o objetivo da IATF.
Protocolo de IATF para vaca leiteira
Na IATF, utiliza-se um dispositivo de liberação de progesterona, mantido no corpo das matrizes que participam do protocolo até o estágio pré-ovulatório. A sincronização da ovulação é feita ao se retirar a progesterona exógena (implante) e endógena (prostaglandina F2a), e aplicar um indutor de ovulação, para definir o momento da liberação do óvulo. Mas, para fêmeas manejadas para produção leiteira ou para fêmeas acíclicas, ou seja, que não estão clicando normalmente, são promovidas alterações nesse protocolo.
A IATF permite aumentar o número de vacas inseminadas, por causa da maior quantidade de cio fértil e de um incremento da concepção de vacas de alta produção.
O uso da IATF permite aumentar o número de vacas inseminadas, por causa da maior quantidade de cio fértil e de um incremento da concepção de vacas de alta produção. Como são inseminadas em data e horário predeterminados, o produtor poderá direcionar os nascimentos para períodos nos quais a remuneração pelo leite produzido é maior, geralmente na estação seca, nas regiões centro-oeste e sudeste.
Estrategias de IATF na estação de monta
A associação da IATF com a estação de monta traz grandes vantagens para a atividade pecuária. Isso porque as duas técnicas se complementam. A IATF, com a possibilidade de racionalizar a aplicação da inseminação artificial. E a estação de monta, com a possibilidade de otimizar o manejo reprodutivo na propriedade, em vários aspectos.
Por: Patrícia Tristão
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